Muitos escritórios já usam ChatGPT ou Claude no dia a dia, nem sempre de forma combinada. Um advogado resume um contrato, outro pede ajuda para revisar um e-mail, a recepção usa para responder clientes. A ferramenta ajuda, mas sem regras claras o escritório corre um risco que não pode correr: expor informações protegidas pelo sigilo profissional.
A boa notícia é que dá para usar IA com segurança. Estes são os cinco cuidados que recomendamos antes de qualquer automação.
1. Use contas corporativas, não contas pessoais
Contas gratuitas e pessoais têm regras de uso de dados diferentes das contas empresariais. Os planos para empresas do ChatGPT e do Claude oferecem controles de administração e configurações que não usam o conteúdo das conversas para treinar os modelos. Antes de decidir, leia a política de privacidade do plano escolhido e configure a conta do escritório, com cada pessoa usando o próprio acesso.
2. Defina o que pode e o que não pode ir para a IA
Nem todo documento precisa ir inteiro para a ferramenta. Uma regra simples evita a maior parte dos problemas:
- Pode: modelos de documentos, textos sem identificação, pesquisas gerais, revisão de linguagem.
- Com cuidado: documentos de clientes, sempre com nomes, CPFs e dados sensíveis retirados ou substituídos.
- Não pode: senhas, dados bancários e qualquer informação que o cliente não autorizou compartilhar.
3. Comece pelo administrativo, não pela tese
O ganho mais rápido e com menor risco está nas tarefas administrativas: triagem de novos contatos, confirmação de reuniões, cobrança de documentos pendentes, organização da agenda. São rotinas repetitivas, fáceis de medir, e que liberam tempo da equipe para o trabalho jurídico.
4. A revisão é sempre do advogado
Ferramentas de IA podem errar e, às vezes, apresentam informações inventadas com toda a segurança, como uma decisão que não existe. Por isso, tudo o que sai em nome do escritório passa por revisão humana. Citações de leis, julgados e prazos devem ser conferidos na fonte, sempre.
Regra prática: a IA prepara, o advogado decide. Ela ajuda a chegar mais rápido a um primeiro rascunho, e a responsabilidade pelo resultado continua sendo do profissional.
5. Escreva as regras e treine a equipe
Uma política interna de uso de IA, de uma ou duas páginas, resolve muita coisa: quais ferramentas são aprovadas, o que pode ser compartilhado, quem revisa o quê. Depois, um treinamento curto com exemplos da rotina do próprio escritório garante que todos sigam o mesmo padrão. Vale também acompanhar as orientações da OAB sobre o uso de inteligência artificial na advocacia.
Por onde começar
Escolha uma tarefa administrativa que toma tempo toda semana e faça um piloto com dados fictícios. Quando o resultado estiver bom, leve para os casos reais com revisão de cada envio. Esse é o caminho que usamos com os escritórios que atendemos: pequeno, testado e com o sigilo protegido do começo ao fim.
Veja também: soluções de IA para advocacia.
Rodrigo Reis
2R Consulting · Microsoft Certified Trainer há 15 anos e cofundador da RED Learning IT. LinkedIn
